sexta-feira, 26 de julho de 2013

A assinatura visual de "V de Vingança"


A máscara de Guy Falkes em V de Vingança virou um ícone. Onipresente , ela tem servido a revoltosos de todo tipo e lugar, seja a esquerda do ocuppy wall street seja a ultra-direita brasileira que segura cartazes de “queremos a volta dos militares” na Avenida Paulista . Como não podia deixar de ser, a parte ofuscou o todo e pouco se fala da graphic novel em si que muitas vezes só é lembrada como a obra que deu origem ao filme com Natalie Portaman.
Injusto afinal, como toda obra de Alan Moore, é de primeira grandeza  e ,como vemos aqui, Moore nunca trabalha em parceiria com artistas fracos.

Visualmente a obra tem nítida influência do film noir (notada nos enquadramentos tanto quanto no uso de sombras expressionistas ) mas também características próprias macantes como mostrar só o realmente necessário em cada quadrinho.
A conseqüência disso é que nosso olhar muito raramente pode “passear” livre pela cena, ficando sempre confinado ao narrado . Confinamento aliás, reforçado pela arte-final de David Loyd cujo nanquim quase atropela o desenho .

Há também pouquíssimo espaço livre em cada página e pouquíssimo branco nos quadrinhos. Tudo isso somado e temos uma obra sufocante capaz de transmitir perfeitamente através de sua construção(tanto quanto pela trama) a idéia de opressão e  obscurantismo denunciados por Alan Moore.



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