sexta-feira, 26 de julho de 2013

A assinatura visual de "V de Vingança"


A máscara de Guy Falkes em V de Vingança virou um ícone. Onipresente , ela tem servido a revoltosos de todo tipo e lugar, seja a esquerda do ocuppy wall street seja a ultra-direita brasileira que segura cartazes de “queremos a volta dos militares” na Avenida Paulista . Como não podia deixar de ser, a parte ofuscou o todo e pouco se fala da graphic novel em si que muitas vezes só é lembrada como a obra que deu origem ao filme com Natalie Portaman.
Injusto afinal, como toda obra de Alan Moore, é de primeira grandeza  e ,como vemos aqui, Moore nunca trabalha em parceiria com artistas fracos.

Visualmente a obra tem nítida influência do film noir (notada nos enquadramentos tanto quanto no uso de sombras expressionistas ) mas também características próprias macantes como mostrar só o realmente necessário em cada quadrinho.
A conseqüência disso é que nosso olhar muito raramente pode “passear” livre pela cena, ficando sempre confinado ao narrado . Confinamento aliás, reforçado pela arte-final de David Loyd cujo nanquim quase atropela o desenho .

Há também pouquíssimo espaço livre em cada página e pouquíssimo branco nos quadrinhos. Tudo isso somado e temos uma obra sufocante capaz de transmitir perfeitamente através de sua construção(tanto quanto pela trama) a idéia de opressão e  obscurantismo denunciados por Alan Moore.



segunda-feira, 22 de julho de 2013

THE WALKING DEAD Nº 10


A edição de julho de Walking Dead é das melhores entre as dez já publicadas até agora numa série que coleciona momentos primorosos.
Desta vez a ousadia foi não mostrar nenhuma cena de violência e nem um zumbi sequer nas 24 páginas da história “Caminhos Trilhados”.

O que para o leitor que chega desavisado querendo ver sangue e vísceras pode ser frustrante, para os fãs da série é um deleite ver que o terror e a violência emergem não das imagens mas sim dos diálogos. O momento mais forte é a conversa entre Allen, personagem que na edição anterior havia perdido a esposa, destroçada por zumbis, e sua companheira de acampamento Andréia, preocupada com seu estado depressivo. A construção da página é simplória e os desenhos não tem encanto algum. A cena de Allen chorando,por exemplo, não comove nem quem derrama lágrimas  com novela das seis. Mas o que teria tudo para ser o momento em que o personagem recebe uma lição de moral acaba sendo um espetáculo triste e niilista.
Segue transcrição de parte do diálogo:

Andréia- Quero que você pense nos seus filhos. Você tem que superar isso e ser forte por eles. Sei que está triste e tem todo o direito de estar, mas os garotos precisam de você. Não pode se fechar assim.

Allen (chorando)– O que? Olha a merda que  está me falando! Superar isso? Parar de ficar trsite? Que tal dizer logo  “largue de ser maricas” pra fechar com chave de ouro ? Acabei de perder a porra da minha mulher,sua putinha.Que direito tem de ficar discutindo a minha dor? Vai se foder!

Andréia - O que? Acha que eu não sei o que é perder alguém? Acabei de perder minha irmã!Acho que conheço um pouco sobre a dor. Sei exatamente pelo que está passando! Entrei em choque quando a Amy morreu. Não falei por dias...Quase enlouqueci. Você não pode se dar ao luxo.Ben e Billy precisam do pai agora. Estou apenas tentando ajudar, seu escroto.

Allen – Minha mulher acabou de morrer.

Andréia – E minha irmã morreu,Shane morreu e Jim morreu! Provavelmente meus pais estão mortos! Todos que eu conheci na vida devem estar mortos!(...)Seus filhos precisam que você reaja...e saia desse estado.Eles precisam de você! Pense neles!

Allen – Tudo o que eu posso faze agora é pensar neles!Foi a única coisa que fiz em dias!
Fico pensando neles crescendo sem a mãe...pensando neles envelhecendo...esquecendo como ela era...nem lembrando o rosto dela. É só nisso que eu penso e está acabando comigo!Então,sua vaca,não venha aqui tentar algo ou me dar conselhos. Você não sabe de merda nenhuma e não está me ajudando.Me deixe em paz.

The Walking Dead é escrita por Robert Kirkman e desenhada por Charlie Adlard. Quem publica é a HQM Editora.